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Biologia marinha
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Biologia marinha é o estudo dos organismos que vivem em
ecossistemas de água salgada e das relações entre eles e com
o ambiente.
Os oceanos cobrem mais de 71% da superfície da Terra e,
assim como o ambiente terrestre é diverso, os oceanos também
o são. Por isso encontramos as mais diferentes formas de
vida no mar, desde o plâncton microscópico, incluindo o
fitoplâncton, de enorme importância para a produção primária
no ambiente marinho, aos gigantes cetáceos como as baleias.
Classificação dos organismos marinhos
Geralmente se agrupam os organismos marinhos em função do
seu tamanho e hábito de vida, como segue (resumidamente):
* Plâncton (organismos geralmente pequenos que ficam à
deriva dos movimentos oceânicos)
o Bacterioplâncton (bactérias)
o Fitoplâncton (microalgas e sargaços)
o Zooplâncton (animais, com preponderância para os
microscópicos, mas incluindo algumas espécies de grandes
dimensões, como as salpas que são urochordata "anfioxos"s
que podem formar cadeias com mais de um metro de
comprimento)
Os menores organismos são denominados nanoplâncton com
dimensões máximas entre 2 e 63 μm (de acordo com o tamanho
dos orifícios da malha das redes utilizadas para os
capturar). O picoplâncton inclui componentes ainda menores,
como as bactérias (só retidas por filtros).
* Bentos (organismos que vivem no substrato, fixos ou não)
o Fitobentos (incluindo as macroalgas, algumas microalgas e
as ervas marinhas)
o Zoobentos
+ Macrofauna (animais visíveis a olho nu, como a maior parte
dos caranguejos, os equinodermes, algumas espécies de
peixes, etc.)
+ Meiofauna (animais que vivem permanentemente enterrados no
sedimento, quer livres, quer dentro de estruturas por eles
construídas)
+ Microfauna (animais microscópicos que se desenvolvem sobre
o substrato)
* Nécton (organismos com boa capacidade natatória, como a
maior parte dos peixes e dos mamíferos marinhos)
Um conceito relacionado, embora não formado por organismos
vivos é o séston que é o conjunto das partículas, orgânicas
ou não, que se encontram dispersas na coluna de água e que,
para além de poderem constituir alimento para alguns
organismos, têm um papel importante na difusão da luz na
água e, portanto, na produção primária.
Microrganismos marinhos
A microbiota marinha é importantíssima para a decomposição
de matéria orgânica e para a produção primária em
ecossistemas sem luz. A maior parte dos micróbios marinhos
são bactérias e algas azuis (cianobactérias ou cianofíceas).
As bactérias estão dispersas por todos os oceanos,
suportando condições extremas. Há bactérias
quimiossintéticas e decompositoras.
Protistas marinhos
Fitoplâncton (Microalgas)
O fitoplâncton é formado por plantas microscópicas que se
encontram na coluna de água. Os organismos do fitoplâncton
são a base da teia alimentar aquática, servindo de alimento
ao zooplâncton, ictioplâncton e outros organismos. São
produtores primários (seres autotróficos), que usam a
clorofila para converter a energia solar, sais minerais e
dióxido de carbono em compostos orgânicos. Por necessitar da
energia solar para o seu desenvolvimento, o fitoplâncton
vive na zona mais superficial da coluna de água, na zona
eufótica. O fitoplâncton engloba vários grupos distintos de
organismos.
Diatomáceas
As diatomáceas são provavelmente o maior e o mais conhecido
grupo de microalgas (existem mais de 20,000 espécies
conhecidas). A característica principal deste grupo é a
frústula siliciosa (semelhante a uma caixa de Petri) e a
simetria biradial.
Cianofíceas
As cianobactérias, algas azuis-verdes ou cianofíceas, são
organismos mais relacionados com as bactérias, apesar da sua
função fotossintética. Como as bactérias, são seres
procariontes.
Macroalgas
As macroalgas são algas multicelulares, com órgãos
diferenciados, como as algas vermelhas e as algas castanhas
e algumas clorofíceas, como as Ulvas. Elas constitutem a
maior parte do que que as pessoas chamam algas marinhas
(muitas vezes, as pessoas chamam algas às ervas marinhas).
As macroalgas são uma parte importante da cadeia trófica do
bentos, fornecendo ainda refúgio a muitos animais. No
entanto há algumas espécies que pertencem ao plâncton, como
os sargaços.
Algumas espécies de algas marinhas são utilizadas na
alimentação, principalmente no extremo oriente e também nas
indústrias alimentar e farmacêutica.
Ervas marinhas
As ervas marinhas são plantas que produzem flor adaptadas à
vida na água do mar. Estas plantas encontram-se em muitas
praias e pertencem às famílias Posidoniaceae, Zosteraceae,
Hydrocharitaceae e Cymodoceaceae. Têm um importante papel
nos ecossistemas costeiros, não só pela sua produtividade,
mas também por servirem de refúgio a muitos animais
bentónicos.
O nome vulgar provém do fato das suas folhas se
assemelharem, embora superficialmente, com as ervas
terrestres da família Poaceae. Por vezes são confundidas com
algas.
Os animais que não possuem notocorda nem coluna vertebral
são conhecidos como invertebrados. Esse grupo é muito grande
e inclui animais que apresentam formas e comportamentos bem
diferentes. Eles podem ser encontrados nos mais diversos
ambientes (aquáticos ou terrestres) e podem ser parasitas de
plantas ou de outros animais. Os principais filos de
invertebrados são: poríferos, celenterados, platelmintes,
nematódeos, anelídeos, artrópodes, moluscos e equinodermes e
todos estes filos possuem representantes no mar.
Zooplâncton
São animais plantônicos não clorofilados, em sua grande
maioria, sendo conhecidos sob o ponto de vista de
produtividade marinha como heterótrofos. Compreendem uma
infinidade de formas, tamanhos e cores. Quase todos os
grupos animais estão representados no zooplâncton, desde
formas unicelulares (protozoários), até animais mais
complexas, tais como os crustáceos e os peixes (ovos e
larvas - ictioplâncton). O zooplâncton é importante por
desempenhar um papel crucial na transferência da energia
sintetizada pelos vegetais planctônicos - também conhecido
como fitoplâncton -, para animais superiores na teia trófica
(ou teia alimentar). Considerando estes últimos animais,
destacam-se os peixes (por exemplo, atuns e sardinhas) e
algumas baleias, denominadas pelos biólogos planctófagas
(comedores de plâncton).
Além disso, o zooplâncton pode ser utilizado como
indicadores da qualidade da água, já que esses pequenos
organismos respondem rapidamente às modificações do
ambiente, tais como ocorrem quando existe emissão de
poluentes químicos e despejo de esgoto. Resumindo, quando um
ambiente recebe uma descarga de óleo ou matéria orgânica,
algumas espécies do zooplâncton perdem boa parte dos
indivíduos, reduzindo, desta forma, suas populações. Em
contrapartida, outras espécies são mais resistentes,
ocorrendo nestes casos um aumento de suas populações. Assim,
os organismos do zooplâncton podem ser considerado como
excelentes bioindicadores da condição ambiental de um dado
ecossistema. Porém, vale ressaltar cada espécie do
zooplâncton responde diferentemente às alterações do meio,
cabendo aos biólogos e demais pesquisadores correlacionados
identificarem quais espécies são as melhores indicadoras
para dado parâmetro (por exemplo: poluição orgânica,
produtos químicos, elevada salinidade, aumento ou redução da
acidez da água e outros).
Normalmente considera-se zona costeira, também chamada zona
nerítica a que se encontra sob influência das marés e onde a
luz pode penetrar até ao fundo, promovendo a fotossíntese.
Existem organismos aquáticos, não só na zona que está
permanentemente coberta de água - também conhecida por zona
infratidal, ou seja, a que é mais profunda que a maior maré
baixa - mas também na zona intertidal, que pode ficar a
descoberto durante as marés baixas, e na supratidal que
nunca é inundada pelas marés, mas que recebe humidade da
água do mar, através das ondas e por penetração da água
através da areia.
Os organismos que habitam nesta região estão adaptados a
estas variações, tanto do nível de água, como da sua falta
durante determinados períodos. Por exemplo, muitos
crustáceos e moluscos que vivem nesta zona são capazes de
armazenar água junto das brânquias, fechando a sua abertura.
Nesta zona, encontram-se vários ecossistemas diferentes, que
são descritos abaixo.
Praias
Uma praia é uma formação geológica consistindo de partículas
soltas de rocha tais como areia, lascas de pedra, ou cobble
ao longo da margem de um corpo de água.
Manguezais ou mangues e marinhas
Estuários
Um estuário é a parte de um rio que se encontra em contato
com o mar. Por esta razão, um estuário sofre a influência
das marés e possui tipicamente água salobra.
Costões rochosos
Costão rochoso é o nome dado ao ambiente costeiro formado
por rochas, situado na transição entre os meios terrestre e
aquático. É considerado muito mais uma extensão do ambiente
marinho que do terrestre, uma vez que a maioria dos
organismos que o habitam, estão relacionados ao mar.
No Brasil, suas rochas possuem origem vulcânica e são
estruturadas de diversas maneiras. É um ambiente
extremamente heterogêneo: pode ser formado por paredões
verticais bastante uniformes, que estendem-se muitos metros
acima e abaixo da superfície da água (ex. a Ilha de
Trindade) ou por matacões de rocha fragmentada de pequena
inclinação (ex. a costa de Ubatuba/SP). No Brasil, pode-se
encontrar costões rochosos por quase toda a costa. Seu
limite de ocorrência ao Sul se dá em Torres (RS) e ao Norte,
na Baía de São Marcos (MA) sendo que a maior concentração
deste ambiente está na região Sudeste, onde a costa é
bastante recortada.
A partir da observação da fisiografia da costa do Brasil,
pode-se estabelecer uma relação entre a ocorrência de
costões rochosos e a proximidade das serras em relação ao
Oceano Atlântico. Tomando como exemplo o Estado de São
Paulo, observa-se que em locais onde a Serra do Mar se
elevou próxima ao oceano, ocorre um predomínio de costões
rochosos na interface da terra com o mar (ex. Ubatuba), já
em locais onde a Serra do Mar está muito distante da costa,
ocorre o predomínio de manguezal e restinga (ex.
Cananéia/SP). Os costões são, portanto, na maioria das
vezes, extensões das serras rochosas que atingem o fundo do
mar.
O costão rochoso pode ser modelado por aspectos físicos,
químicos e biológicos. Em relação aos aspectos físicos, a
erosão por batimento de ondas, ventos e chuvas é o principal
deles, mas a temperatura também possui papel importante na
de composição das rochas, a longo prazo, através da expansão
e contração dos minerais. O fatores químicos envolvidos
dependem do tipo de rocha que forma o costão, uma vez que
minerais reagem quimicamente com a água do mar (ex. ferro),
sendo que estas relações são reguladas principalmente pelos
fatores climáticos. Além destes, temos o desgaste das rochas
que pode ser causado por organismos habitantes ou visitantes
do costão, como ouriços, esponjas e moluscos.
O ecossistema costão rochoso pode ser muito complexo e,
normalmente, quanto maior a complexidade, maior a
diversidade de organismos em um determinado ambiente. Para
entendermos tal relação, podemos tomar como modelos dois
tipos de costão, um costão exposto e um costão protegido.
Plataforma continental
Em oceanografia, chama-se plataforma continental à porção
dos fundos marinhos que começa na linha de costa e desce com
um declive suave até ao talude continental (onde o declive é
muito mais pronunciado). Em média, a plataforma continental
desce até uma profundidade de 200 metros.
Talude continental
Em oceanografia, chama-se talude continental à porção dos
fundos marinhos com declive muito pronunciado que fica entre
a plataforma continental e a margem continental, onde
começam as planícies abissais.
[editar] Zona profunda ou abissal
Em geral, consideram-se "águas profundas" aquelas onde já
não penetra a luz, mas a Zona Abissal para os oceanógrafos
começa no fundo do talude continental, no que é considerado
como o limite dos continentes. Esta zona é formada por
planícies abissais, fossas abissais e canhões, mas nela se
encontram montes submarinos que podem atingir a profundidade
da zona eufótica.
O oceano tem uma profundidade média de cerca de 5 km, o que
significa que esta zona abissal é muito extensa, apesar de
ter sido pouco estudada. A pressão hidrostática aumenta em
uma atmosfera a cada 10 metros de profundidade, o que torna
o estudo desta zona muito difícil, sendo necessário o uso de
batiscafos, que são submarinos protegidos especialmente para
pressões elevadas. Com estes submarinos e também com a ajuda
de instrumentos acústicos, as ecossondas foram feitas
algumas pesquisas que levaram ao conhecimento de alguns
detalhes do fundo dos mares. Mais detalhes em Oceanografia.
O ponto mais profundo dos oceanos foi encontrado na Fossa
das Marianas, a leste do arquipélago das Filipinas, no
Oceano Pacífico, com 10.924 m. Outros pontos especialmente
profundos são o Canhão de Monterrey, ao largo da Califórnia,
com cerca de 10.000 m, a Fossa de Porto Rico, com 8.605 m, a
Fossa de Java, com 7.450 m e a de South Sandwich, com 7.235
m, estas últimas também no Oceano Pacífico.
A estas profundidades, para além da pressão elevada, não
penetra a luz e, por isso, não pode haver fotossíntese. No
entanto, existem muitos animais adaptados a estes fundos,
entre peixes, crustáceos e vermes, muitos deles com órgãos
luminosos.
Regiões especiais, que parecem ser "oasis" no meio dum
deserto, são as fontes termais submarinas e o seu oposto, as
geleiras submarinas, onde uma série de compostos químicos
são libertados do interior da terra, possibilitando a vida
de numerosos organismos, num ecossistema que se acredita
basear-se em bactérias capazes de metabolizar essas
substâncias.
[editar] Fatores de distribuição de organismos marinhos
Um dos temas de pesquisa mais ativos na biologia marinha é a
descoberta e o mapeamento dos ciclos de vida das várias
espécies, as zonas onde os seus membros passam a vida, o
modo como as correntes oceânicas os afetam e os efeitos da
miríade de outros fatores oceânicos no seu crescimento e
bem-estar. Só recentemente foi possível desenvolver este
tipo de trabalho com a ajuda de tecnologia de GPS e de
câmaras subaquáticas.
A maior parte dos organismos marinhos reproduz-se em locais
específicos, põe os ovos noutros locais, passa o seu tempo
de juvenil ainda em outros locais e a maturidade noutros
locais ainda. Durante bastante tempo, os cientistas não
fizeram qualquer idéia sobre a localização de muitas
espécies durante certos períodos dos seus ciclos de vida. De
fato, as zonas por onde as tartarugas marinhas viajam ainda
são bastante desconhecidas. Instrumentos de seguimento não
funcionam para algumas formas de vida e os rigores do oceano
não são amigos da tecnologia. Mas em muitos casos, estes
fatores limitativos estão a ser ultrapassados.
[editar] Sub-áreas da Biologia marinha
O estudo da biologia marinha reserva obviamente uma boa
parte da sua atenção para os efeitos físicos das continuas
imersões no mar e nos oceanos em geral, acaba por uma
variação nas propriedades oceânicas afetando a vida marinha.
A recente biotecnologia marinha vem focando largamente nas
biomoléculas marinhas, especialmente proteínas, onde possa
ser usada na medicina ou na engenharia.
Uma parte interessante da biologia marinha é a aqüicultura.
História da Biologia Marinha
Ultimamente, biólogos marinhos estão tentando completar o
mapeamento das criaturas aquáticas com ajuda de modernas
técnicas, que ajudam a exploração do fundo do oceano, mais
precisamente nas depressões aquáticas, onde acreditam
encontrar novas espécies, eventualmente um potencial de
grande interesse nas teorias da evolução.
Campos relacionados
A biologia marinha está estreitamente relacionada com a
oceanografia, com a biologia, com a zoologia, com a botânica
(por causa das algas) e principalmente com a ecologia.
A biologia pesqueira também está relacionada com a biologia
marinha, no que diz respeito às pescarias marinhas, mas pode
também ser considerada um ramo das ciências pesqueiras. |