O MAR E SUA IMPORTÂNCIA
Não há país que disponha de
litoral e não identifique interesses no mar. Estes,
resultantes dos anseios, necessidades, possibilidades e
cultura de um povo, materializam-se no que se convencionou
chamar de política marítima do país. Seus
objetivos, de ordem política, econômica e militar
dependem, para serem alcançados, da adequada obtenção e do
emprego de meios apropriados, isto é, dependem de uma
estratégia marítima, que prepare e empregue
convenientemente o poder marítimo. De conceito
extremamente abrangente, esse poder é constituído de tudo
aquilo que, de alguma forma, se relaciona com a navegação,
o transporte aquaviário, a pesca, a extração do petróleo
do subsolo marinho, o esporte náutico, as indústrias
afins, a população que o integra, a política governamental
que o rege e, acima de tudo, a vocação marítima do povo.
Finalmente, há por mencionar o poder naval, braço
armado do poder marítimo, destinado a defender os
interesses da nação no mar e, ali, garantir-lhe a
integridade e soberania. Por seu intermédio, assegura-se
ao país o direito ao uso econômico e estratégico do mar.
No caso do Brasil, os
interesses marítimos são históricos e amplos. O mar foi
nossa via de descobrimento, de colonização, de invasões,
de consolidação da independência, de comércio e de
agressões, além de arena de defesa da soberania em
diversos episódios, inclusive em duas guerras mundiais,
neste século.
Do ponto de vista econômico,
95% de todo o comércio exterior brasileiro são
transportados por via marítima, o que significa, entre
exportações e importações, algo em torno de cem bilhões de
dólares por ano, sem contar o custo do próprio frete, que
gira em torno de seis bilhões de dólares anuais, quase o
mesmo valor da receita obtida com toda a exportação de
minério de ferro, soja e café.
Ademais, 80% do petróleo
nacional são extraídos do subsolo marinho, num total de um
milhão de barris/dia. Do mar, também, retira-se uma
infinidade de outros recursos econômicos, desde a pesca,
sal, algas e uma vasta gama de compostos orgânicos até
minerais e matérias primas diversas. Tal fonte, quase
ilimitada, tende a aguçar os interesses e a desenvolver
dependências. No caso do Brasil, onde hoje já representa
muito, poderá tornar-se a virtual fronteira econômica do
futuro.
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